Nova variante do COVID pode ser menos ameaçadora do que se temia inicialmente

Nova variante do COVID pode ser menos ameaçadora

TERÇA-FEIRA, 5 de setembro de 2023 (HealthDay News) – Quando a nova variante do COVID BA.2.86 surgiu no final de julho, os cientistas tinham preocupações sobre sua capacidade de escapar da imunidade. Mas testes laboratoriais iniciais parecem estar amenizando esses medos, bem como as preocupações sobre a capacidade da variante de se espalhar amplamente.

Também chamada de Pirola, a variante é altamente mutada, com mais de 30 alterações em sua proteína spike em comparação com seu ancestral próximo BA.2 e XBB.1.5, informou a CNN. Esse grande salto na evolução é semelhante ao que aconteceu quando o Ômicron surgiu pela primeira vez.

Mas cientistas, incluindo aqueles na Suécia e na China, estão descobrindo em testes laboratoriais que a variante parece ser menos preocupante do que se pensava inicialmente.

Cientistas dos Estados Unidos estão entre aqueles que em breve divulgarão os resultados de testes laboratoriais, informou a CNN.

Até agora, a BA.2.86 se espalhou para os Estados Unidos e outros 10 países. A Dinamarca relatou a maioria das sequências. No total, cerca de três dúzias de sequências foram observadas em um repositório global ao longo do último mês, informou a CNN.

“Meus amigos, isso não é a segunda vinda do Ômicron. Se fosse, é seguro dizer que já saberíamos”, disse o Dr. Bill Hanage, epidemiologista e co-diretor do Centro de Dinâmica de Doenças Transmissíveis da Universidade Harvard, em uma postagem nas redes sociais.

Os experimentos laboratoriais em andamento estão usando vírus isolados de pacientes ou modelos das proteínas spike do vírus enxertadas no corpo de um vírus diferente, informou a CNN.

Na China, pesquisadores determinaram que a BA.2.86 é percebida de forma diferente pelo sistema imunológico do que as variantes anteriores do COVID. Ela pode escapar de alguma imunidade, informou a CNN.

Entre as descobertas estão que houve uma queda de duas vezes na capacidade da vacinação e da infecção recente de neutralizar a BA.2.86, em comparação com os vírus XBB.1.5, disse Yunlong Cao, do Centro de Inovação Biomédica da Universidade de Pequim, à CNN. Mas ela também era 60% menos infecciosa do que as variantes XBB.1.5.

“Eu diria que ela circulará lentamente na população. Ela não será capaz de competir com outras variantes que estão se espalhando rapidamente”, disse Cao, referindo-se a variantes como EG.5 e FL.1.5.1, que estão atualmente se espalhando nos Estados Unidos.

Enquanto isso, em experimentos no Instituto Karolinska, na Suécia, pesquisadores usaram sangue de doadores humanos coletado no final de 2022 e no final de agosto para testar o impacto de anticorpos contra a BA.2.86.

Embora as amostras de sangue mais antigas não tenham conseguido deter a BA.2.86, as obtidas posteriormente obtiveram melhores resultados, informou a CNN.

“No geral, não parece ser uma situação tão extrema quanto a emergência original do Ômicron”, escreveu o pesquisador principal Benjamin Murrell em uma postagem nas redes sociais.

“Ainda não está claro se a BA.2.86 [ou suas descendentes] superarão as variantes atualmente circulantes, e acredito que ainda não existem dados sobre sua gravidade, mas nossos anticorpos não parecem ser completamente impotentes contra ela”, disse ele.

Ambos os estudos têm limitações: entre elas está o fato de que os pesquisadores estavam testando modelos do vírus, e não o vírus real, informou a CNN.

Ainda assim, os resultados foram encorajadores.

“As notícias são melhores do que eu esperava”, disse o Dr. Ashish Jha, ex-coordenador de resposta ao COVID-19 da Casa Branca, em uma postagem nas redes sociais. “E [isso] me deixa mais encorajado de que a nova vacina em desenvolvimento terá um benefício real contra a variante dominante atual [EG.5], bem como a BA.2.86.”

Mais informações

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos tem mais informações sobre as variantes do COVID.

FONTE: CNN