Acha que você não é um pai helicóptero? Nova pesquisa mostra que muitos são

Pensando sobre sua paternidade Nova pesquisa revela que muitos pais são pai helicóptero

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À medida que as crianças crescem, o desejo de se aventurarem sozinhas e ganharem um pouco de independência é natural.

E uma nova pesquisa nacional sugere que a maioria dos pais diz que está tudo bem com isso.

O problema? A pesquisa destaca uma grande diferença entre o que os pais dizem e o que eles realmente permitem, com muitos optando por manter seus filhos em uma rédea curta.

“Queríamos ver se os pais são coerentes entre o que dizem e o que fazem em relação ao estímulo à independência”, explicou a co-diretora da pesquisa, Sarah Clark, cientista pesquisadora do Departamento de Pediatria do Centro de Avaliação e Pesquisa em Saúde Infantil da Faculdade de Medicina da Universidade de Michigan.

“Achávamos que haveria uma diferença, mas não imaginávamos que seria tão grande”, admitiu Clark. “Há muitas crianças que não estão tendo oportunidades suficientes para crescer, mas os pais nem sempre reconhecem isso.”

No Relatório da Pesquisa Mott de 16 de outubro, Clark e seus colegas relatam que convocaram mais de 1.000 pais selecionados aleatoriamente para a pesquisa. Todos eram pais de crianças entre 5 e 11 anos de idade.

Entre os pais de crianças entre 9 e 11 anos, cerca de 84% disseram concordar que ter tempo livre sem supervisão de um adulto é uma boa ideia.

Entre os pais de crianças mais novas, entre 5 e 8 anos, quase três quartos disseram realmente fazer questão de deixar as crianças fazerem coisas sozinhas, sempre que possível.

Mas será que a teoria se traduziu em prática? Nem tanto.

Entre os pais de crianças entre 9 e 11 anos, 58% deixam seus filhos sozinhos em casa por meia hora a uma hora, e apenas a metade relatou deixar a criança andar sozinha por outro corredor em uma loja.

De maneira similar, apenas 44% disseram ter deixado a criança no carro enquanto saíam para fazer alguma tarefa, e ainda menos – apenas um terço – disse que deixava a criança andar de bicicleta ou a pé até a casa de um amigo sozinha.

Menos de um terço permitia brincadeiras em um parque sem a presença de adultos. E a maioria dos pais de pré-adolescentes – 85% – disse não à ideia de deixar os filhos irem pedir doces sozinhos no Halloween.

O estudo descobriu que os pais de crianças mais novas não são mais permissivos.

Menos de um quarto disse permitir que suas crianças de 5 a 8 anos conversem com um estranho adulto em situações de negócios, como fazer um pedido em um restaurante, enquanto apenas um quinto deixou a criança preparar a própria comida em casa. Menos de um terço disse deixar as decisões de gastos da mesada inteiramente nas mãos da criança, e menos da metade deixa a criança conversar com um enfermeiro ou médico sozinha ao passar por uma consulta médica.

Então, qual é o problema com a criação de filhos “helicoptero”?

Embora a pesquisa de fato não tenha usado esse termo em suas perguntas, Clark disse que o maior problema para os pais que evitam a independência parece ser a “preocupação generalizada de que algo ruim possa acontecer, levando-os a acreditar que devem proteger a criança de resultados ruins hipotéticos”.

De fato, os números da pesquisa confirmam isso, com mais da metade (54%) dos pais de pré-adolescentes dizendo que estão preocupados que alguém possa assustar ou seguir seus filhos sem supervisão… apesar do fato de que apenas 17% acham que sua vizinhança é muito insegura para atividades sem supervisão.

Cerca de um terço também disse que seu filho simplesmente não está pronto para ficar sozinho.

Entre 11% e 17% disseram que achavam que a lei não permite atividades não supervisionadas entre crianças de 9 a 11 anos, ou que alguém poderia chamar a polícia ou julgá-los por serem pais ruins.

Entre os pais de crianças mais jovens, os fatores motivadores incluíam preocupações com a segurança das crianças (44%) e/ou falta de maturidade infantil (31%), ou a crença de que a criança quer supervisão (34%). Cerca de um quarto disse acreditar que as atividades não supervisionadas levariam muito tempo ou não sairiam como o pai queria.

“O segundo fator é a conscientização dos pais em relação a um clima hiper-crítico, o que os leva a acreditar que devem proteger seu filho de consequências ruins”, disse Clark.

Em outras palavras, os pais estão se esforçando para proteger seus filhos do bullying.

O problema é que todos esses motivos bem-intencionados para querer microgerenciar as atividades juvenis “podem estar inadvertidamente restrigindo o caminho para a independência da criança”, concluiu a equipe da pesquisa.

“O que muitos pais estão perdendo”, alertou Clark, “é o reconhecimento de que, a longo prazo, existem consequências negativas para as crianças não terem oportunidades suficientes para progredir em direção à independência.” Infelizmente, acrescentou ela, “as consequências podem não ser aparentes até a idade adulta jovem.”

Mais informações

Há mais sobre a criação de filhos no Child Mind Institute.

FONTES: Sarah Clark, MPH, cientista de pesquisa, Departamento de Pediatria, Centro de Avaliação e Pesquisa em Saúde Infantil, Faculdade de Medicina da Universidade de Michigan, e co-diretora, Pesquisa Nacional do Hospital Infantil C.S. Mott sobre a Saúde das Crianças; Relatório da Pesquisa Mott, 16 de outubro de 2023

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